Angolano vence prêmio literário russo inspirado em Tolstói

Leonardo Cendamo/Getty Images José Eduardo Agualusa
Leonardo Cendamo/Getty Images
O prêmio literário Iásnaia Poliana deste ano foi concedido ao escritor angolano José Eduardo Agualusa pelo romance “Nação crioula: a correspondência secreta de Fradique Mendes”.

O escritor angolano José Eduardo Agualusa venceu o prêmio literário Iásnaia Poliana este ano com “Nação crioula: a correspondência secreta de Fradique Mendes”, um romance que mistura fatos históricos e ficção ao retratar a luta contra a escravidão em Angola.

Escrito em forma epistolar, o livro reúne cartas de personagens como o escritor português Eça de Queirós, o aventureiro português Carlos Fradique Mendes e a angolana Ana Olímpia Vaz de Caminha. Esta última nasceu escravizada e se tornou uma mulher célebre e rica em Angola; por algum tempo, ela e Fradique Mendes mantiveram um relacionamento amoroso. 

O prêmio literário Iásnaia Poliana é concedido, desde 2003, a escritores cujas obras dão continuidade à tradição da literatura clássica russa e refletem os princípios tolstoianos de amor ao próximo, compaixão e integridade moral. Em 2015, a premiação passou a contar também com a categoria “Literatura Estrangeira”, que reconhece autores de outros países.

Quem mais já recebeu o prêmio na categoria “Literatura Estrangeira”? 

Em 2017, o prêmio foi concedido a Mario Vargas Llosa pelo livro “O Herói Discreto”. O escritor e dramaturgo peruano foi um dos principais nomes do chamado boom latino-americano e também recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Seu livro, publicado em 2013, apresenta duas histórias que se entrelaçam: a de Felícito Yanaqué, um motorista da cidade de Piura, no interior do Peru, que se torna vítima de uma chantagem misteriosa, e a do bem-sucedido empresário de Lima Ismael Carrera, que, já na velhice, decide se casar com sua empregada.

Em 2018, o escritor premiado foi o israelense Amós Oz, pelo romance “Judas”, que se passa em Jerusalém, em 1959. Sem dinheiro e sem saber que rumo dar à própria vida, o estudante universitário Shmuel Ash responde a um anúncio e vai morar em uma casa antiga. Lá, conversa com um intelectual idoso e, junto com ele, tenta desvendar o mistério da traição de Judas e repensar a história da criação do Estado de Israel.

Em 2021, o prêmio foi para Julian Barnes, um dos grandes nomes da literatura britânica, pelo livro “Nada a Temer”. Neste ensaio profundamente pessoal, Barnes reflete sobre o medo da morte, a fé, sua relação com o irmão filósofo e a história de sua família.

Em 2025, foi a vez do escritor chinês Mo Yan receber o prêmio, pelo romance “A Morte do Sândalo”. A obra é uma saga histórica ambientada no período de declínio da dinastia Qing e tem como pano de fundo acontecimentos históricos ligados à China no final do século 19 e início do século 20.

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