Os planadores infláveis ​​de Pável Grokhovski

Domínio público
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Apesar da falta de apoio institucional, engenheiro bancou a ideia até o fim — servindo de inspiração para modelos estrangeiros.

Na década de 1930, quando a aviação ainda explorava seus limites técnicos, o engenheiro soviético Pável Grokhovski propôs uma ideia surpreendente: construir planadores infláveis.

No âmbito do Escritório de Projetos Experimentais, e dentro do contexto de estudos sobre sistemas de pouso, ele idealizou aeronaves de borracha que poderiam ser transportadas dobradas, infladas antes do voo e desinfladas após o pouso. Seu baixo peso e capacidade de absorver impactos eram as principais vantagens.

Os primeiros testes, conforme descrito no Techinsider.ru, começaram em 1934 com uma asa totalmente inflável fabricada em Leningrado. O piloto de testes V. Petuchkov se segurou na asa e decolou da plataforma de um caminhão em movimento. O experimento funcionou: a asa gerava sustentação e os pousos eram suaves. Em uma queda acidental, a estrutura inflada amortecia totalmente o impacto, o que convenceu Grokhovski a prosseguir com um planador completo.

Revista Aviátsa e Kosmonávtika (Aviação e Cosmonáutica) Dois associados de Grokhovski desembalam o planador inflável durante uma demonstração
Revista Aviátsa e Kosmonávtika (Aviação e Cosmonáutica)

O modelo seguinte, construído pela fábrica Promtetchnik, era extremamente simples e controlado pela torção da fuselagem, sem quaisquer superfícies móveis tradicionais. Em voo reto, ele apresentava bom desempenho e podia ser rebocado por biplanos U-1 ou U-2. Porém, em curvas, a elasticidade da fuselagem absorvia as forças de controle, tornando a aeronave instável. Mesmo assim, foi apresentado no show aéreo de Tuchino em 12 de julho de 1935.

A imprensa o elogiou, mas as autoridades não se convenceram e o projeto acabou perdendo financiamento. O planador, por sua vez, foi parar no hangar do Instituto de Aviação de Moscou.

Domínio público Instituto de Aviação de Moscou, 1935
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Ainda longe de abandonar a ideia, a equipe desenvolveu uma versão mais avançada: o planador anfíbio “20º Congresso do Komsomol”. Este modelo combinava borracha com madeira e metal para reforçar a estrutura. Era um planador monomotor de asa alta, pesava apenas 77 quilos e podia ser guardado em uma bolsa compacta. Podia ser inflado em cerca de vinte minutos com uma bomba manual e foi projetado para operar tanto em terra quanto na água.

Revista Aviátsa e Kosmonávtika (Aviação e Cosmonáutica) Planador inflável de Grokhovski “20º Congresso do Komsomol”
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Os testes incluíram reboque por um barco no rio Neva, assim como voos — liberados de um avião Polikarpov U-2 em baixa altitude, conseguindo planar por quase um quilômetro antes de pousar com sucesso. Os resultados encorajaram Grokhovski a considerar a possibilidade de um avião inflável, mas o apoio oficial jamais se concretizou.

Revista Aviátsa e Kosmonávtika (Aviação e Cosmonáutica) A imprensa ocidental repercutiu a conquista soviética
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Embora tenha sido abandonado, o projeto chegou a atrair atenção internacional. Anos mais tarde, a empresa americana Goodyear desenvolveria o Inflatoplane, demonstrando que a ideia não era absurda.

Os planadores infláveis ​​de Grokhovski permanecem como uma curiosidade histórica, mas também um exemplo de inovação à frente de seu tempo, explorando soluções leves, portáteis e surpreendentemente seguras bem antes de a tecnologia estar pronta para utilizá-las plenamente.

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