5 fatos sobre Rasul Gamzatov, o poeta mais famoso do Daguestão

Rudolf Dik / TASS Rasul Gamzatov, the People's Poet of Daghestan
Rudolf Dik / TASS
Em sua terra natal, numa aldeia de montanha, o poeta é considerado um herói nacional. Mas a sua fama estende-se muito além da república russa do Cáucaso e foi ele quem realmente apresentou o Daguestão ao mundo inteiro.

1. O mais famoso do Daguestão

“Coloque-me em segundo lugar em termos de popularidade no Daguestão, depois de Rasul Gamzatov”, disse certa vez aos jornalistas o lutador mundialmente famoso e campeão do UFC Khabib Nurmagomedov. Segundo o lutador, se o poeta tivesse redes sociais, com certeza teria mais seguidores que ele.

Aleksêi Nikólski / Sputnik Concerto em comemoração ao centenário do nascimento de Rasul Gamzatov. Palácio Estatal do Kremlin, Moscou, 2023
Aleksêi Nikólski / Sputnik

De fato, antes de Khabib surgir no cenário global, Rasul Gamzatov era considerado o daguestanês mais famoso do mundo; suas obras foram traduzidas para dezenas de idiomas.

Em sua terra natal, seus poemas são mais conhecidos do que a tabuada. A avenida principal da capital da república, Makhachkalá, também leva o seu nome e, aos pés do Teatro Russo, ergue-se um monumento em homenagem a esse herói nacional.

2. Cria dos ávaros

“Um montanhês, filho dos escassos ávaros, Rasul Gamzatov conseguiu transcender fronteiras nacionais e territoriais com sua poesia e tornar-se um poeta conhecido muito além de sua terra natal”, escreveu o poeta soviético Samuil Marshak.

“Ele é um poeta imenso, que tornou famoso o Daguestão, bem como a língua ávara e suas montanhas. Seu coração é sábio, generoso e vibrante”, disse Robert Rojdestvenski, outra figura de destaque da literatura soviética. “Ele não é só um poeta daguestanês, mas também um poeta russo”, acrescentou.

Rudolf Dik / TASS Rasul Gamzatov em sua terra natal, 1965
Rudolf Dik / TASS

Gamzatov nasceu em 8 de setembro de 1923, em uma aldeia montanhosa no Daguestão. Ele era de etnia ávara — membro de um dos maiores grupos étnicos dessa república russa (que conta com mais de 100 grupos étnicos no total).

Seu pai também era poeta; Rasul cresceu imerso na literatura e na poesia épica popular. Não foi à toa que começou a escrever poemas com apenas nove anos.

Após se formar na Escola Pedagógica Ávara, no Daguestão, foi estudar em Moscou, no Instituto Literário Górki, onde conheceu e fez amizade com a elite da poesia soviética.

3. Apresentou o Daguestão ao mundo inteiro

Na literatura russa, o Daguestão aparece nos poemas de Mikhail Lérmontov, na vívida novela histórica de Lev Tolstói intitulada “Hadji Murat”, bem como em toda a obra de Rasul Gamzatov.

Gamzatov exaltava sua terra natal, a singularidade e a beleza das montanhas e aldeias, a coragem e a bravura dos habitantes das montanhas e o sentimento profundo e comovente do amor — amor pela mãe, pela língua materna e pela terra natal.

Mark Rédkin / Sputnik Rasul Gamzatov em Makhachkalá, a capital do Daguestão, 1986
Mark Rédkin / Sputnik

 

Mesmo vivendo em Moscou e desfrutando de todos os (consideráveis) privilégios de um escritor soviético, ele manteve sua identidade única. E, graças a ele, o mundo inteiro conheceu o Daguestão.

Gamzatov escrevia apenas na língua ávara, mas todas as suas obras (tanto poemas quanto histórias) — concisas e figurativas, como parábolas — foram traduzidas para o russo; depois, a partir do russo, para dezenas de outros idiomas.

Além de sua poesia, o livro em prosa de Gamzatov “Meu Daguestão” — traduzido para 39 idiomas — também é bastante conhecido. Trata-se de uma narrativa lírica com inserções poéticas, citações do folclore, anedotas e parábolas. Uma espécie de colcha de retalhos com múltiplas camadas, composta por lendas populares, contos de fadas e histórias sobre a república e seus habitantes.

“Se é uma história, uma novela, um conto de fadas, uma lenda, uma meditação ou apenas um artigo, eu não sei. (…) Não escrevo segundo as leis dos livros, mas por um impulso do meu próprio coração. E o coração não tem leis. Ou melhor, tem suas próprias leis, que não servem para todos”, disse o autor ao descrever sua proposta.

4. Autor de uma das mais famosas canções de guerra 

Em todos os selos postais, moedas e outras ilustrações, Rasul Gamzatov é retratado com garças brancas. Isso porque ele as transformou em um símbolo de lembrança em toda a URSS em seu poema “As Garças”. A obra conta a história de soldados que morreram nos campos de batalha. Observando um bando de garças, o poeta imagina que os soldados não estão mais enterrados, mas que se transformaram nessas aves brancas.

A obra, traduzida para o russo por Naum Grebnev, tornou-se a base para uma canção interpretada pelo famoso artista Mark Bernes. A metáfora de Gamzatov ganhou vida há alguns anos no monumento do Memorial de Rjev, onde a figura de um soldado se transforma em um bando de garças.

Ekaterina Chtúkina / Sputnik Memorial de Rjev, na região de Tver
Ekaterina Chtúkina / Sputnik

5. Seu aniversário se tornou um feriado na Rússia

Existem mais de 270 idiomas na Rússia. O Dia da Língua Russa é comemorado em 6 de junho, aniversário de Aleksandr Púchkin, universalmente considerado o criador da língua russa moderna. Mas, em 2025, uma nova data comemorativa surgiu no calendário: o Dia das Línguas dos Povos da Rússia, que cai em 8 de setembro, aniversário de Rasul Gamzatov.

Israel Ózerski / Sputnik Rasul Gamzatov em 1967
Israel Ózerski / Sputnik

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