8 livros russos que entraram na nova lista dos 100 melhores do ‘The Guardian’
Como qualquer outra lista dos melhores livros de todos os tempos, o ranking dos 100 melhores do jornal britânico ‘The Guardian’ não deixou de incluir autores russos. Detalhamos os livros que foram incluídos na lista, bem como a justificativa do jornal para tal escolha:
91º. Vassili Grossman, “Vida e Destino” (1959)
“Grossman foi testemunha da Batalha de Stalingrado e dos campos de extermínio nazistas; escrito em 1959, seu épico sobre a vida na Frente Oriental durante a Segunda Guerra Mundial, suprimido pelo regime e contrabandeado para o Ocidente depois de sua morte, é amplamente considerado o ‘Guerra e Paz’ soviético.”
Após passar mais de mil dias na frente de batalha, Vassili Grossman escreveu seu “Vida e Destino”, considerado um dos maiores romances de guerra de todos os tempos. Grossman observa e registra de maneira vívida a tragédia das pessoas vivendo em uma sociedade totalitária e em guerra. Como muitos de seus colegas, ele nunca viu o próprio trabalho publicado em vida. Sua saga indomável, conhecida como “O Guerra e Paz do século 21”, retrata a história dramática da vida de uma família durante a Batalha de Stalingrado. Mas o romance foi considerado “antissoviético” e precisou ser contrabandeado para fora do país. Em 1989, no final da perestroika, “Vida e destino” foi publicado pela primeira vez em russo. “Todas as pessoas são culpadas diante de uma mãe que perdeu seu filho na guerra, e tentam em vão se justificar diante dela ao longo da história da humanidade”, escreveu o autor do romance, cujos eventos se desenrolam de setembro de 1942 a fevereiro de 1943.
69º. Fiódor Dostoiévski, “Crime e Castigo” (1865-66)
“Em um romance que expõe de forma brilhante o abismo entre a teorização estéril e as relações humanas reais, um ex-estudante empobrecido chamado Raskólnikov decide cometer um assassinato para provar um ponto: que algumas pessoas não têm importância, enquanto outras são tão extraordinárias que as leis morais não se aplicam a elas. Infelizmente, sua consciência não coopera. Tomado pela culpa, atormentado por pesadelos e incentivado pela mulher por quem se apaixona, ele é levado a confessar.”
Na Rússia, conhecer o enredo e o significado deste livro é fundamental. O romance é muito sombrio, cheio de reflexões psicológicas e descrição de pessoas do pior tipo. Dostoiévski reflete sobre a natureza da violência e sobre as circunstâncias que podem forçar uma pessoa a tomar medidas extremas. Este romance também é uma importante declaração sobre a busca pelo sentido da vida.
66º. Mikhail Bulgákov, “O Mestre e Margarida” (1940)
“Nesta sátira da União Soviética, o diabo e sua comitiva – incluindo um vampiro e um enorme gato preto – causam o caos na Moscou oficialmente ateia. Assim como seu personagem, o Mestre, que está escrevendo um romance sobre Pôncio Pilatos e temendo a censura e a perseguição das autoridades, Bulgákov queimou o primeiro manuscrito em 1930; a fábula sombriamente divertida sobre o bem e o mal inspirou a música ‘Sympathy for the Devil’ dos Rolling Stones.”
“O Mestre e Margarida” é um dos romances favoritos dos russos. Considerado o mais importante livro de Bulgákov, foi publicado anos após a morte do escritor. A obra tem dois enredos paralelos. No primeiro, Satã e sua comitiva chegam a Moscou nos anos 1920 para se divertir. No segundo, Yeshua (Jesus) é julgado e executado em Jerusalém há 2.000 anos. Nessa obra metafísica, Satã é uma figura ambígua, “parte daquela força que eternamente deseja o mal e eternamente faz o bem”. O diabo de Bulgákov é contrastado com o novo mal — burocracia, socialismo e despersonalização.
29º. Vladimir Nabokov, “Fogo Pálido” (1962)
“Uma delícia metaficcional que apresenta um poema de 999 versos de um poeta chamado John Shade, seguido pelo comentário delirante feito por seu vizinho e colega. Críticos debatem interminavelmente sobre como ler essa meditação astutamente espirituosa sobre sentido e loucura.”
Embora este livro tenha sido originalmente escrito em inglês, e não em russo, cabe destacar que Nabokov teve a ideia de escrevê-lo enquanto traduzia “Eugene Onêguin”, de Púchkin, e escrevia um comentário em quatro volumes sobre a obra.
26º. Fiódor Dostoiévski, “Os Irmãos Karamazov” (1878-1880)
"O último romance de Dostoiévski, no qual o assassinato de um cruel proprietário de terras lança suspeitas sobre seus filhos, aborda as maiores questões: o bem, o mal, o livre-arbítrio, o pecado original e a possibilidade de redenção humana, tudo explorado tendo como pano de fundo uma Rússia em meio a profundas transformações sociais. Tanto Einstein quanto Freud o consideravam o melhor romance já escrito.”
O livro é repleto de reflexões psicológicas e religiosas, mas também é um romance policial intrigante. Isso porque a história escrita em estilo de detetive é baseada em um escândalo real. Fiódor Karamazov tem três filhos, mas eles nunca tiveram boas relações com o pai. Até que um dia o pai é morto e um deles é suspeito do crime — que teria sido cometido por causa de uma mulher e por dinheiro —, embora nem tudo seja tão simples como parece. Há uma longa cena de julgamento e discursos de testemunhas que mantêm o leitor em suspense até o final. Leia um resumo curto do livro aqui.
25º. Vladimir Nabokov, ‘Lolita’ (1955)
“A confissão do pedófilo Humbert Humbert, o narrador mais deslumbrantemente não confiável da literatura, é um ato de equilíbrio infinitamente controverso. A primeira tiragem foi de apenas 5.000 exemplares. Até hoje, já vendeu mais de 50 milhões de cópias.”
7º. Lev Tolstói, “Guerra e Paz” (1863-69)
“Combinando amor, tragédia, filosofia e a história das guerras napoleônicas, Tolstói afirmou que sua epopeia em quatro volumes ‘não era um romance’; Dostoiévski discordou, descrevendo-a como a obra-prima da literatura russa.”
“Guerra e Paz” é reconhecido como um dos trabalhos literários mais importantes da história mundial. Essa obra-prima de Tolstói é um romance épico em quatro enormes volumes. Ao acompanhar o percurso de cinco famílias aristocráticas russas no período de 1805 a 1820, Tolstói narra a marcha e a derrota das tropas napoleônicas e seu impacto brutal sobre a vida dos personagens e sobre toda a história da Rússia. Com incrível maestria, Tolstói descreve o amor jovem, a traição, a infidelidade, a morte e as guerras sem sentido, além de oferecer uma descrição detalhada, profunda, colorida e historicamente precisa de Napoleão, do imperador russo Alexandre 1º, do general Kutuzov e de outras figuras históricas.
6º. Lev Tolstói, “Anna Kariênina” (1873-77)
“Embora o próprio Tolstói considerasse o romance ‘horrível’, os leitores têm sido desde então atraídos pela profundidade das emoções e pela amplitude de sua representação da sociedade russa; William Faulkner o declarou o maior romance já escrito.”
Neste romance, Tolstói concentra-se na natureza da felicidade e da infelicidade na vida familiar. Com maestria, o autor conduz o leitor por um salão repleto de música, perfumes e vestidos de renda, em um ambiente de imagens vívidas e quase palpáveis que têm como pano de fundo a Rússia tsarista. Por outro lado, acompanhamos o proprietário de terras Lióvin ― alter ego de Lev Tolstói ― em sua busca pelo ideal de uma vida feliz no campo ao lado da jovem Kitty, bem como seus dilemas intelectuais em torno da fé e da justiça social.
Leia o resumo dessa obra-prima aqui, ou, se já estiver familiarizado com o livro, confira o guia peculiar sobre o complexo romance tolstoiano, que analisamos ponto a ponto aqui.
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