Como um cientista russo lutou contra o racismo
O etnógrafo, antropólogo e explorador russo Nikolai Miklouho-Maclay dedicou sua vida ao estudo das populações indígenas da Austrália e da Oceania, dando particular atenção aos papuas da Nova Guiné. Ele descreveu em detalhes seus costumes, tradições e cultura material, revelando uma ilha praticamente desconhecida para os europeus.
“Eu tive a rara sorte de observar uma população totalmente isolada do contato com outros povos e, além disso, vivendo em um estágio de desenvolvimento cultural em que todas as ferramentas e armas eram feitas de pedra, osso e madeira", observou o cientista.
Miklouho-Maclay se opôs categoricamente à teoria da desigualdade das raças humanas, que era popular na segunda metade do século 19. De acordo com essa corrente, os aborígenes australianos e os papuas eram considerados espécies biológicas inferiores, de transição entre os macacos e o Homo sapiens. O cientista refutava consistentemente as hipóteses sobre a presença de quaisquer traços ‘semelhantes aos de macacos’ entre os habitantes da Oceania, tais como ‘pele áspera’ ou ‘cabelo em tufos’, e enfatizava as grandes semelhanças entre as características mentais de papuas e europeus.
O explorador sonhava em estabelecer um forte Estado independente na ilha, capaz de resistir à colonização europeia. Outra ideia do cientista era estabelecer um “protetorado europeu comum” sobre a Nova Guiné, sem interferência de outras potências em seus assuntos internos. Ele queria transformar a parte nordeste da ilha, que Miklouho-Maclay descobriu, explorou e denominou “Costa Maclay”, em uma colônia russa, mas Alexandre 3º não se interessou. Os alemães logo se estabeleceram ali.
Há ruas com o nome de Miklouho-Maclay tanto na Rússia quanto em Papua-Nova Guiné. Além disso, um asteroide, uma baía na costa da Antártida e um gênero de insetos da Indonésia também levam seu nome. Em 1996, a Unesco declarou o cientista um “Cidadão do Mundo”.
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