Do que tinham medo os escritores clássicos russos?
Aleksandr Púchkin tinha medo de maus presságios
É sabido que o maior poeta russo era extremamente supersticioso. Ele não se sentava à mesa se houvesse 13 pessoas reunidas; não permanecia em um quarto com três velas acesas (o que seria um presságio de morte); não seguia viagem se uma lebre cruzasse seu caminho ou se encontrasse um sacerdote.
Retrato do poeta Aleksandr Púchkin, 1880
O casamento com Natália Gontcharova foi repleto de maus presságios: quando o casal caminhava ao redor do púlpito, a cruz e o Evangelho caíram; em seguida, a vela na mão do poeta se apagou, e a aliança do noivo caiu no chão. Além disso, ele acreditou até o fim da vida em uma previsão feita na juventude por uma vidente. Ela teria anunciado sua morte “por uma cabeça branca, um homem branco ou um cavalo branco”.
Nikolai Gógol tinha medo de ser enterrado vivo
Na juventude, Gógol contraiu malária cerebral. Com a doença, ele passou a sofrer desmaios profundos, que podiam durar de algumas horas a dias. Durante tais crises, seus batimentos cardíacos e pulso tornavam-se quase imperceptíveis, o que alimentou nele o terror de que fosse confundido com um morto e acabasse sepultado vivo.
Nikolai Gógol
Para dormir de forma mais vigilante e monitorar seu estado, Gógol passou mais de 10 anos sem se deitar na cama, preferindo cochilar sentado em uma poltrona ou sofá. Em seu testamento, ele ainda deixou uma instrução específica: “Determino que meu corpo não seja enterrado até que apareçam sinais evidentes de decomposição”.
Fato é que o escritor demonstrava sensibilidade de uma forma mais ampla — tinha medo de tempestades, de caracóis, lesmas e desconfiava de pessoas desconhecidas.
Ivan Turguêniev tinha medo de doenças súbitas e da morte
Turguêniev foi perseguido ao longo da vida pelo medo de adoecer. Desde jovem, tinha tendência à hipocondria: lia enciclopédias médicas, observava atentamente as sensações do corpo e anotava todos os seus mal-estares.
Ivan Turguêniev
Parece que o medo de doenças era uma característica familiar: a mãe do escritor temia tanto a cólera que chegou a caminhar nas ruas sob uma espécie de dossel protetor. Esse medo também foi transmitido ao filho. Durante a epidemia em Paris, em 1849, ele ficou tão convencido de que estava morrendo que teve verdadeiras crises nervosas.
Vladímir Maiakóvski tinha medo de micróbios
O pai de Maiakóvski morreu de infecção generalizada (sepse) após se espetar acidentalmente com um alfinete ao costurar documentos. A morte por uma ferida tão pequena causou uma impressão profunda e duradoura no poeta.
Vladímir Maiakóvski
A partir daí, ele passou a temer de forma obsessiva qualquer infecção: evitava tocar em maçanetas e outros objetos em locais públicos; usava luvas com frequência e sempre carregava um pedaço de sabão no bolso.
Serguêi Iessênin tinha medo da sífilis
Iessênin tinha um medo patológico de contrair sífilis — o que chegou a se transformar em uma ideia obsessiva. O seu amigo poeta Anatóli Mariengof, em “Romance sem mentiras”, lembrou que, ao surgir a menor espinha no nariz, ele podia passar horas diante do espelho, examinando-a e entrando em um estado sombrio.
Serguêi Iessênin
“Certa vez chegou a ir à Biblioteca Rumiantsev para consultar os sintomas da terrível doença [...] Quando voltamos do Turquistão, após o consumo contínuo de damascos secos, as gengivas de Iessênin começaram a sangrar de leve. Dali em diante, ele passou a levantar o lábio diante de todos: ´Está sangrando, não? Não é o primeiro estágio, não?".
Mikhail Bulgákov tinha medo de dormir
Mikhail Bulgákov
O autor de “O Mestre e Margarida” sofria de neurastenia. Na juventude, também se envolveu com drogas. Por causa disso, passou a ser assombrado por pesadelos noturnos. Ele podia confundir sonho e realidade e, ao acordar, comportar-se de maneira pouco lúcida. Com o tempo, desenvolveu um medo real de adormecer.
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